sexta-feira, 18 de março de 2011

Meu Orientador Espiritual


                           Meu primeiro contato com o babalorixá Melquisedec aconteceu em abril de 2004, desta feita quando fui apresentado ao mesmo através da minha mãe yarobá Lúcia Helena de Exú por meio de uma conversa telefônica e num desses diálogos via Embratel que tivemos, surgiu à idéia de fazer um encontro cultural aqui na cidade de Areia Branca.  Em 14 de julho do mesmo ano realizemos o combinado encontro cultural de religião de matriz africana, que marcou uma sucessão de vários outros eventos do mesmo gênero e em julho de 2010, promovemos o 7º encontro, sem falar que no mês de dezembro durante os festejos alusivos á Yemanjá acontece o Encontro das Mulheres que em 2010 já foi realizado o 5º evento.
                        Melquisedec chegou à minha casa sem me conhecer pessoalmente, apenas com um endereço em mãos e uma proposta, eu também não o conhecia, contudo, hospedei-o no aconchego do meu lar. A partir de então, descobri o ser humano maravilhoso que ele é. Um homem de bem, de caráter recomendável, de personalidade firme; o homem mais sábio que tive a oportunidade de conhecer.  Sou muito grato a esse senhor que me ensinou a dar os primeiros passos rumo ao orixá, me mostrando o caminho que levaria ao mesmo. Ele não me deu o peixe, mas me ensinou a pescar para que eu pudesse assim, garantir a alimentação da casa.  Abriu meus horizontes me mostrando novas paisagens, novas perspectivas, me fazendo entender que querer é poder quando se ousa querer. Que o orixá  é uma energia que aflora de dentro de cada um de nós, a partícula divina que liga a criatura ao criador e jaz em cada ser.
                     Antes tinha um sonho de conhecer o candomblé e nele me iniciar e realizei esse sonho através de baba Melqui. Em 19 de julho de 2004 já passei pela primeira obrigação ritualística dentro do tão sonhado candomblé e a partir de daí, adotei o culto a nação ketu como ritual da minha casa e sob a orientação desse bom senhor que, doravante passou a me mostrar o caminho pelo qual deveria seguir e, assim, alcançar êxito na realização do trabalho que eu pretendia fazer. Hoje me considero um privilegiado por pertencer à família Melquisedec de Sangó. De comungar do mesmo akasá (comunhão, hóstia). De ter esse sábio senhor como meu mestre. Antes parecia impossível adaptar o ritual da minha casa a uma doutrina da qual não tinha o devido conhecimento, mas a vontade de mudar foi maior que as dificuldades que encontrava no caminho e o poder de superação venceram todos os obstáculos. Mas tudo isso graças ao apoio dado por ele que teve paciência e disposição para me passar a lição, fazendo uma execução paulatina dos ensinamentos no gotímetro da sabedoria.
                     O babalorixá Melquisedec da Rocha tem prestado relevantes serviços à cultura areia-branquense, quando deixa suas ocupações em Natal e vem trazer propostas do nível religioso e cultural aqui para salinésia e seu trabalho não se limita apenas às dependências do Ilé Asé Dajó Iyá Omí Sábà, mas para toda a cidade, quando promove eventos culturais em lugares públicos e destinados a população em geral, contribuindo para a formação cultural e intelectual dos munícipes. Babá Melqui jamais veio passar férias em Areia Branca, mas sim, passar conhecimentos sobre uma cultura de origem africana que está introduzida de modo intrínseco na história desse nosso miscigenado país. Sou-lhe muito grato por tudo isso meu velho pai!



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