Hoje é dia de São João e eu sou do tempo em que nessa data as pessoas faziam adivinhações, assava milho na fogueira, meninas faziam simpatias diversas e uma delas era escrever o nome do amado debaixo do travesseiro, outras que afogava o pobre do santo Antônio dentro de um copo de cachaça e de cabeça pra baixo (isso já é terrorismo vamos combinar com o pobre do santo ), que enfiava uma faca virgem num pé de bananeira. Espero que alguém ainda faça esse tipo de simpatia e que as agulhas unam as pontas, que as brasas da fogueira se encontrem e a aliança toque o menos possível, mas que toque. Lembro daquelas que ao acender da fogueira (coisa antiecológica em dias de hoje) ficava prestando atenção para ver qual o primeiro nome de homem pronunciado ou se a sua sombra aparecia na parede; que pulava a fogueira três vezes e pedia pra o seu amado sempre lhe amar, dos que arrebanhavam um bando de meninos e meninas para serem madrinhas/padrinhos de fogueira; que guardavam toda comida do dia pra sonhar com o amado vindo jantar.
Eita! é tanta coisa oxente! que dá um caderno inteiro. São tradições passadas de uma geração a outra, que nem sempre davam certo, mas se tentava. São maneiras de reviver a cultura, de sair do caritó ou de apenas sonhar...
Era muito bom sentir esse clima junino. Todas essas coisas: o xote, o forró pé de serra que se dançava antigamente sem fazer da parceira um pião, e a malemolência do xaxado, a brincadeira do pau de sebo, as anedotas ao redor da fogueira, os fogos de artifícios, os traques (que eu detesto), as cobrinhas correndo reluzentes para nos queimar, o inocente chumbinho e a potente bomba trovão. Tudo isso serve para o sertanejo festejar a vida, tão pouco digna de festejos, tão lapeada pelos tantos patrões, tão assolada e secante pelo clima.
Mas como diz Euclides da Cunha somos verdadeiramente fortes, somos produtores de saberes, somos na nossa forma simples os edificadores de uma raça que pode ate se vergar, mas nunca se quebra. Sinto muito orgulho de ser potiguar, nosso estado ta um caos em termos de governabilidade, ta com uma capital meio sem direção, mas é o meu Estado, a minha terra, a minha matiz e o meu melhor lustrador. Hoje não tenho o São João que gostaria de ter, mas tenho o direito de me reportar a inesquecíveis Festas Juninas.
Eita! é tanta coisa oxente! que dá um caderno inteiro. São tradições passadas de uma geração a outra, que nem sempre davam certo, mas se tentava. São maneiras de reviver a cultura, de sair do caritó ou de apenas sonhar...
Era muito bom sentir esse clima junino. Todas essas coisas: o xote, o forró pé de serra que se dançava antigamente sem fazer da parceira um pião, e a malemolência do xaxado, a brincadeira do pau de sebo, as anedotas ao redor da fogueira, os fogos de artifícios, os traques (que eu detesto), as cobrinhas correndo reluzentes para nos queimar, o inocente chumbinho e a potente bomba trovão. Tudo isso serve para o sertanejo festejar a vida, tão pouco digna de festejos, tão lapeada pelos tantos patrões, tão assolada e secante pelo clima.
Mas como diz Euclides da Cunha somos verdadeiramente fortes, somos produtores de saberes, somos na nossa forma simples os edificadores de uma raça que pode ate se vergar, mas nunca se quebra. Sinto muito orgulho de ser potiguar, nosso estado ta um caos em termos de governabilidade, ta com uma capital meio sem direção, mas é o meu Estado, a minha terra, a minha matiz e o meu melhor lustrador. Hoje não tenho o São João que gostaria de ter, mas tenho o direito de me reportar a inesquecíveis Festas Juninas.