quinta-feira, 9 de junho de 2011

O poema que não farei



O poema que eu não fiz
Que ninguém o faça
Que ele se refaça
Nos seios que poderão amamentá-lo
Das mudanças que não hei de conhecer
Que ele sangre das pedras
E se transforme em pães
Para alimentar os filhos que não poderei fazer
Que ele grite capoeiras
Que pule nas praças
Que ele dance cirandas
Que ele fecunde os ventres
O poema que eu não fiz
Que ninguém o faça
Que ele se refaça
E se esfacele
No meu silêncio...

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